Detentas ameaçam motim caso não sejam bem tratadas em presídio

Detentas ameaçam motim caso não sejam bem tratadas em presídio

Com aparelhos celulares dentro do pavilhão feminino do Presídio Estadual Francisco d'Oliveira Conde, em Rio Branco, detentas disseram que são vítimas, após o banho de sol. As presas reivindicam m

Leia tudo

Com aparelhos celulares dentro do pavilhão feminino
do Presídio Estadual Francisco d'Oliveira Conde, em Rio Branco,
detentas disseram que são vítimas, após o banho de sol. As presas reivindicam
melhores condições no presídio e afirmam que há presas com 'cadeia vencida', ou
seja, que já deveriam ter sido soltas.

Elas ameaçam realizar uma rebelião caso
a juíza, da Vara de Execuções Penais, não escute as reivindicações das presas. As presas reclamam de mudanças administrativas
tomadas pela direção do presídio, como modificações nas normas de visitas, mas
negam


 



"Elas [as agentes] aplicam sindicância e regridem a cadeia das
presas por bobeira. Não é por celular a reivindicação. Se discutimos com
a agente, por exemplo, vamos para o corretivo. Aí os juízes regridem a cadeia
da gente", explica uma detenta, que prefere não se identificar.

 



A mudança na quantidade de comida permitida, levada
por familiares, a diminuição de materiais de higiene e o tratamento aos
visitantes também são reclamações das presas. Segundo a detenta, as celas onde
deveriam ficar 7 presas, estão ficando 14.

 "Elas não tratam bem as
visitas, diminuíram os materiais higiênicos, diminuíram os alimentos que a
visita pode trazer, tem visita que entra porque não tem agente para revistar
todo mundo, são várias coisas. Tudo isso nós estamos aceitando, mas chega uma
hora que as presas ficam revoltadas", afirma.

 

 De acordo com outra detenta, que também prefere não
se identificar, há mais de cinco meses ela espera para fazer exames médicos,
mas não consegue.

"Nós precisamos de um médico para fazer exames aí fora.
Estou com cinco meses marcando meus exames, mas nunca faço. As agentes são
ignorantes com a gente", reclama.

Ela afirma que as presas apenas estão em
busca de seus direitos. "Nós não vamos fazer um motim, só queríamos pedir
o nosso direito", diz.



A diretora da penitenciária, Idma Biggi explica que com relação a penas
vencidas, cabe a Vara de Execuções Penais responder qualquer questionamento. A
visita da juíza, solicitada pelas presas, está sendo aguardada, para verificar caso a caso.

"Mas a informação que eu tenho
é que não há ninguém com pena vencida", afirma.

Sobre o tratamento dado as detentas pelas agentes,
Idma garante que não há nenhum caso de violência registrado, porém as
profissionais precisam se impor para realizar este trabalho. "É impossível
que haja amizade entre agentes e detentas. Mas nunca usamos de violência. Além
disso, quando uma presa quer algo imediatamente e nós não fazemos, elas acham
que estão sendo maltratadas", di
z.

 


Segundo as presas, todas estão lá porque não há
emprego “lá fora” e foram obrigadas e escolher o mundo do crime para conseguirem
sobreviver.