Gleise faz discurso de inocência e defende padrinho, PF afirma que ela é culpada

Gleise faz discurso de inocência e defende padrinho, PF afirma que ela é culpada

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidente do Partido dos Trabalhadores, disse na manhã desta segunda, durante a abertura do evento “Diálogos internacionais para a democracia”, em Porto

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A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR),
presidente do Partido dos Trabalhadores, disse na manhã desta segunda, durante
a abertura do evento “Diálogos internacionais para a democracia”, em Porto
Alegre, que, mesmo que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja
condenado, a sua candidatura à
Presidência nas eleições de 2018 será mantida.

 “Vamos manter a candidatura do
presidente Lula para o bem do Brasil e do povo brasileiro”, disse Gleisi a
jornalistas.

O evento com a presença de Gleisi faz parte de uma
série de atos na capital gaúcha em defesa de Lula, que terá seu recurso da condenação a nove anos e meio de prisão julgado na
quarta-feira, no Tribunal regional Federal da 4ª Região (TRF4).

 

A senadora disse também que “a única sentença possível” para Lula é a sua absolvição.

“Não tem outra sentença possível que não
seja a absolvição, dada a falta de observância do devido processo legal na
condenação de primeira instância.


Não sou eu quem falo, são juristas de renome
internacional que se pronunciaram sobre a sentença do Moro, dizendo que ela não
tem base jurídica, que ela não respeita o processo legal, não tem provas. Isso
tudo leva a gente ter esperança e confiar que o TRF4 cumpra a Constituição e
absolva o presidente”, disse Gleisi.

 


 No
final do ano passado a Polícia Federal concluiu que a
senadora Gleisi Hoffmann (PR),
presidente nacional do PT, e seu marido, o ex-ministro Paulo Bernardo da Silva,
também do PT, são culpados da prática de corrupção passiva e lavagem de
dinheiro, além de crime  eleitoral na campanha que a levou ao Senado em
2014.

 


 As
conclusões do inquérito foram divulgadas nesta segunda-feira pela PF. O
documento segue agora para o Ministério Público Federal,
que pode decidir se oferece ou não denúncia contra a senadora, que tem foro
privilegiado no Supremo Tribunal Federal (STF)
.

 

Segundo
a PF, em fevereiro de 2016, foram apreendidos documentos na casa de uma
secretária do setor de operações estruturadas – que ficou conhecido como
“departamento da propina”
– da construtora Odebrecht.

 


 Entre
eles estavam planilhas relatando dois pagamentos de 500 mil reais cada a uma
pessoa de codinome “Amante”, além de um número de celular e um endereço de
entrega. A investigação identificou que a linha telefônica pertencia a um dos
sócios de uma empresa que prestou serviços de propaganda e marketing na última
campanha de Gleisi.

 A
PF verificou outros seis pagamentos no mesmo valor, além de um outro de 150 mil
reais em 2008 e duas parcelas de 150 mil reais em 2010.

Também foram
identificados os locais onde os pagamentos foram realizados e as pessoas
responsáveis pelo transporte de valores. Essas tabelas, de acordo com a
polícia, também foram apresentadas pela construtora no momento em que foi
firmado termo de colaboração premiada.


 Ainda
segundo a PF, “há elementos suficientes para apontar a materialidade e autoria
dos crimes de corrupção passiva qualificada e lavagem de dinheiro praticados
pela senadora, seu então chefe de gabinete, Leones Dall Agnol, e seu marido,
Paulo Bernardo da Silva, além dos intermediários no recebimento, Bruno Martins
Gonçalves Ferreira e Oliveiros Domingos Marques Neto”.

 A PF
também aponta os ex-diretores da Odebrecht Benedicto Barbosa da Silva Júnior e
Valter Luiz Arruda Lana como co-responsáveis por crime eleitoral de caixa dois,
com base no artigo 350 do Código Eleitoral (“omitir, em documento público ou
particular, declaração que dêle devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir
declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, para fins eleitorais”).



 Por meio
de nota, o advogado Rodrigo Mudrovitsch, que defende Gleisi Hoffmann, afirma
que “a defesa entende que não há elementos nos autos que autorizem a conclusão
alcançada pela Polícia Federal. Não foi praticada qualquer irregularidade pela
Senadora”.