Líderes evangélicos do Brasil escolhem apoiar Bolsonaro em vez da evangélica Marina

Líderes evangélicos do Brasil escolhem apoiar Bolsonaro em vez da evangélica Marina

Questionada sobre qual seria sua opinião sobre a legalização do aborto, a então candidata à Presidência Marina Silva defendeu realizar um plebiscito para tratar da questão. A declaração foi dada

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Questionada sobre qual seria sua opinião sobre a legalização do aborto, a então candidata à Presidência Marina Silva defendeu realizar um plebiscito para tratar da questão.

A declaração foi dada durante um debate na TV Record, a uma semana do primeiro turno das eleições de 2010.

 "Naquela hora em que a Marina defendeu o plebiscito, o pastor Silas [Malafaia] mandou desmarcar o almoço que tinha combinado com ela no dia seguinte", lembra o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), citando o episódio que levou Malafaia a recuar sobre o apoio à ex-senadora.

"Ela agiu como Pilatos. Lavou as mãos. Lavou as mãos das nossas pautas", diz Cavalcante, parlamentar mais próximo ao líder da carioca Assembleia de Deus Vitória em Cristo.

O posicionamento de Marina sobre aborto e outros temas polêmicos continua sendo um dos principais motivos para líderes das maiores igrejas evangélicas do Brasil negarem apoio à missionária da Assembleia de Deus, que deve disputar neste ano, pela terceira vez, o mais alto cargo do poder Executivo.

Até o momento, Marina Silva é a única pré-candidata evangélica ao Palácio do Planalto. A profissão de fé da porta -voz da Rede, no entanto, não deve credenciá-la como a favorita dos líderes das maiores igrejas do país -- Assembleia de Deus, Igreja Batista e Universal do Reino de Deus.
As principais lideranças evangélicas dizem que ainda é cedo para confirmar o apoio a qualquer presidenciável, mas afirmam que o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) vem abraçando publicamente as bandeiras do grupo.

Apesar de católico, Bolsonaro tem ligação com o eleitorado evangélico e já participou de um batismo no rio Jordão, em Israel, pelas mãos do pastor Everaldo Pereira, presidente do PSC –eles romperam e agora o presidenciável deverá se filiar ao PSL para disputar a Presidência.

Já o pastor Silas Malafaia foi quem presidiu a cerimônia de casamento de Bolsonaro com a atual mulher, Michelle, em 2013. A relação entre eles, entretanto, está estremecida desde que  o pastor criticou publicamente o deputado por sair do PSC.

Com isso, o apoio do líder religioso e polêmico nas redes e na televisão aberta ainda é incerto. No discurso de Bolsonaro, os evangélicos se identificam, principalmente, com as críticas à ideologia de gênero, ao casamento gay e à legalização do aborto.

"Ele não é evangélico, mas consegue levantar os nossos valores", diz o bispo Robson Rodovalho, líder da igreja evangélica Sara Nossa Terra e presidente da Concepab (Confederação dos Conselhos de Pastores do Brasil).

Marina é "morna", avalia Cavalcante, "prefere ir para o politicamente correto".

 "É morna nos nossos assuntos, já que está em um partido minado de gente de esquerda. O partido fala mais alto do que ela acredita", afirma. Nas duas últimas eleições presidenciais, a ex-ministra defendeu o plebiscito, mas deixou claro que era contrária à prática do aborto.

 "Boa parte das pessoas não dizem o que pensam ou em que acreditam para não perder voto. Eu nunca fiz isso e costumo pagar o preço. Eu não defendo o aborto por questões filosóficas, éticas e religiosas", afirmou Marina, em vídeo publicado pela Rede, em dezembro de 2016.

A posição de Marina em relação ao casamento gay também não está precisamente ao lado da bancada evangélica. A ex-senadora defende que a terminologia "casamento" só deve ser usada para homem e mulher. Mas diz que o Estado laico deve garantir as liberdades individuais e permitir a "união civil" entre homossexuais.

 Já Bolsonaro argumenta que a própria Constituição prevê que a união familiar só pode ser formada por homem e mulher. A chamada ideologia de gênero, que prega que masculino e feminino são construções sociais, é outro tema que provoca a fúria dos líderes evangélicos. O tema chegou a ser discutido na Câmara dos Deputados e os religiosos tiveram Bolsonaro com um dos aliados para defender que ser heterossexual é natural à humanidade.

Marina Silva nunca se manifestou nas redes ou em entrevistas sobre o assunto. Para Rodovalho, eleitores evangélicos estão em busca de um candidato que defenda valores conservadores e tenha uma visão liberal da economia. "Há um anseio na sociedade por essa linha, e a Marina criou um hiato com os evangélicos que será difícil de ultrapassar".