Psiquiatra especialista em violência sexual explica como um estuprador pensa

Psiquiatra especialista em violência sexual explica como um estuprador pensa

Como você lidaria com um indivíduo do sexo masculino que admita ter esta tendência (a praticar estupro) e que procure ajuda?   "Ninguém pode mudar se não aceitar que suas ações são erradas

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A reportagem entrevistou um psiquiatra especialista em crimes sexuais, durante a conversa ele explica que o estupro não é um ato sexual. É um ataque. Trata-se de vencer, de
conseguir um objeto – e a mulher é objetificada neste caso. Trata-se de poder.
E há também pessoas que sentem prazer com isso.

O estupro é considerado o comportamento mais grave (em relação a uma
mulher), isso é verdade, mas não é o único tipo de agressão que os homens
cometem.



Quando a violência psicológica, a violência física, a violência
financeira, o desrespeito por direitos das mulheres e a discriminação são
permitidos e normalizados, também ocorrem estupros.

Ao ser questionado de como ele lidaria com um indivíduo que admite ter tendencia ao estupro o especialista foi incisivo:


"Ninguém pode
mudar se não aceitar que suas ações são erradas e se responsabilizar por elas.
Se ele for pego e declarar que não tinha a intenção de fazê-lo, isso não levará
a uma mudança de comportamento.

É muito pequeno o número de homens que detectam essa tendência em si
mesmos e pedem ajuda antes de serem pegos.

O caminho é reabilitar os que cometem crimes sexuais enquanto eles
cumprem suas sentenças na prisão
. Toda pessoa tem o direito de ser tratada e
reabilitada.

Há muitos programas de reabilitação que tratam criminosos sexuais em
todo o mundo, e o risco de reincidência entre os participantes é bem mais baixo
do que entre os que não têm nenhum tipo de ajuda na prisão. Esses programas são
especialmente benéficos para adolescentes que cometem crimes sexuais.

Gostaria de tocar em um ponto específico nesta discussão: há propostas
de castrar criminosos sexuais e de trazer de volta a pena de morte. A pena de
morte não é humanitária. Sabemos muito bem que nos Estados Unidos o número de
crimes não diminuiu nos estados em que a pena de morte é aplicada. Essas
medidas não são impeditivas.

Isso (estas propostas) são as pessoas em cargos altos tentando silenciar
as multidões. Sempre ouvimos essa retórica após cada caso sensacional de
estupro. Mas não estamos falando de vingança. Queremos que nossa sociedade
fique tão livre quanto possível do abuso sexual e do estupro."